quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Entre a pele do peito e a pele das costas.

Que talvez não fôssemos mesmo o que tanto supomos, e que o meado da verdade estaria, não nesses nossos corpos andando por onde não queremos, nem nessas nossas vozes loucas e desafinadas complacentes com o restante do mundo. Estaria no exato momento em que calamos e, parados, choramos por dentro tudo o que somos e gargalhamos por dentro por tudo de nós que conseguimos salvar dessa birbante humanidade.
Nós somos, Pedro, essas coisinhas mais miúdas, não somos os nossos assuntos, os nossos assuntos são reles frutos mercenários de convenientes cidadãos do século XXI. Não somos os nossos nomes nem a nossa morada, não somos a exposição das nossas vontades, nem céus, nem infernos, nem pedras, nem flores. Somos apenas essa vontade discreta e cotidiana, cada qual com a sua, de atravessarmos um dia após o outro, perpassando todas as esquinas, procurando o que ainda não sabemos e quiçá não saberemos nunca, tentando proteger e reavivar penosamente e pesadamente os nossos sonhos mais calados e mais afundados nisso que chamamos e “a gente”.
Eu rezo, Pedro, eu torço muito, para que consigamos chegar ao final desse marasmo, suados nesses termos pasteis, e desatar os nós dessas gravatas sufocantes, e nos olharmos corajosos, cientes de que você não vai saber o que eu sou nunca, mas que eu não sou isso que você vê e toca, que você não é isso. Que há muito mais coisas entre a pele do peito e a pele das costas do que a nossa vã filosofia é capaz de compreender, adaptando Shakespeare.

6 comentários:

Chantinon disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Anônimo disse...

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Júnior Puccinelli disse...

ótimos textos, o meu não tem tanto conteudo, mas serve prá divertir.
Abs.

juniorpuccinelli.blogspot.com

Line disse...

logo hoje que eu revi matrix...
caiu como uma luva!
texto belíssimo =*

Amandex disse...

Muito bom seu texto, adorei o seu blog

p.s.:achei por acaso

calculadamente.blogspot.com

Lyz disse...

cientes de que você não vai saber o que eu sou nunca, mas que eu não sou isso que você vê e toca, que você não é isso. - medonho.